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/ / / [Clipping] Pesquisa da Uesb resgata memória do rock autoral conquistense

[Dois homens se apresentando num palco. À esquerda, homem negro com blusa de manga comprida na cor preta e calça jeans toca baixo. Na direita, homem branco de camisa preta com dizeres na cor branca segurando o microfone com as duas mãos. Ele usa óculos escuros e boina.]

Apresentação da banda conquistense Distintivo Blue. (Foto: Acervo do pesquisador)

Por Joana Rocha - 07.06.2021

O conquistense ama música e possui diferentes estilos e gostos musicais. Há quem goste de sertanejo, música eletrônica, MPB, forró, hip hop, axé, música clássica, pop, reggae, blues, regional e tantos outros. Entre outras palavras, podemos afirmar que a joia do sertão baiano é muito eclética. Mas, se tem um tipo musical que também caracteriza Vitória da Conquista é o rock.

O estilo foi escolhido como tema de pesquisa do pesquisador Plácido Oliveira Mendes, estudante do curso de Mestrado em Memória: Linguagem e Sociedade da Uesb. Com um recorte mais próximo de sua realidade, “Memória do Rock Autoral Conquistense (2000-2019): ascensão, declínio e o risco do esquecimento em nome da nostalgia” dá título à pesquisa* que conta as muitas fases do rock na capital do Sudoeste baiano.

Para abordar o assunto, Mendes trabalhou com metodologias diferentes. Segundo o mestrando, “a pesquisa se divide em duas partes, sendo a primeira parte basicamente bibliográfica. Na segunda, realizei 14 entrevistas virtuais com diferentes personagens da cena do rock conquistense, de diferentes categorias: músicos, produtores, técnicos de som, o público, jornalistas, incluindo pessoas que também vivenciaram períodos anteriores ao recorte”, conta.

O autor disse, ainda, que a pesquisa de Mestrado surgiu a partir do projeto Memória Musical do Sudoeste da Bahia, site desenvolvido em 2019, dedicado à preservação da memória da música independente de Vitória da Conquista e região. “A escolha do tema se deu de forma bastante natural: desde a parte inicial do recorte, que eu denomino, à ascensão da cena rock conquistense (primeira metade da década de 2000), quando eu ainda era um jovem estudante de História e começava a frequentar os shows, ensaios e a participar de bandas como vocalista”, lembra.

[Capa do jornal conquistense Cultura Jovem, de Agosto de 2003, em preto e branco com a frase “Galera do rock local vai a luta!”, em destaque no centro. Na esquerda, aparece uma foto de uma banda de rock se apresentando num show lotado de pessoas e à direita a descrição de um texto.]

Jornal de 2003 que destacava o cenário do rock na cidade de Vitória da Conquista. (Foto: Acervo do pesquisador)

Paixão pelo rock autoral – Cantor, compositor, historiador, pesquisador, produtor musical e fundador das bandas conquistenses Distintivo Blue e Joe Malfs Clan, Plácido ou I. Malförea se diz um entusiasta da música autoral. “A música autoral, em minha opinião, é um retrato importante do local, das pessoas e do tempo em que foi composta”. Em 2013, quando percebeu o início do período que denominou de declínio da cena conquistense, o mestrando sentiu a necessidade de continuar se dedicando, ainda mais, aos estudos sobre o gênero musical.

Para ele, “o rock diz muito e, possivelmente, seja o gênero com maior capacidade de se moldar aos inúmeros contextos mundo afora. Por isso, seu silêncio pode significar um ensurdecedor conjunto de fatores passando despercebidos. Para mim, é um grande equívoco ignorar a cena rock de uma cidade pelo simples fato de não se encaixar no rótulo ‘música regional’”.

Em sua pesquisa, o mestrando revela a importância cultural de nomes como Ladrões de Vinil, Cama de Jornal, Liatris, Dona Iracema, ÑRÜ, Distintivo Blue, Renegados, Garboso e outros. Além disso, o estudo destaca grandes artistas pertencentes a um grupo ou a um nicho específico, como “os tradicionais ternos de reis, a genial geração que brilhava nos festivais de música dos anos 80 e 90, a banda da Polícia Militar, as tão inclusivas orquestras, a cena do hip hop conquistense e os artistas de gêneros mais popularescos”.

[Homem sentado e sorrindo em um estúdio de rádio aponta para uma ilustração em sua camisa de cor laranja. À sua volta, estão duas bancadas, microfone, teclado, computador e papeis sobre a bancada da esquerda e, ao lado direito, uma cadeira azul de plástico vazia.]

A pesquisa destaca não só nomes da produção musical de rock, mas também de jornalistas, como Miguel Côrtes (Foto: Acervo do pesquisador)

Impacto sociocultural – Ao reunir os dados históricos sobre o rock conquistense, Plácido Mendes contribui com a memória, muitas vezes esquecida e, até mesmo, nunca apontada para as gerações atuais. No processo de mostrar a ascensão e declínio do rock autoral de Vitória da Conquista, ele manifesta aspectos da própria cultura e evidencia que as pessoas da cena têm interesse em preservar sua memória.

“De certa forma, é como se aguardassem por alguém, um pesquisador, um jornalista, para documentar e externar suas experiências. Isso me deixou, verdadeiramente, feliz por ocupar esse papel neste momento. A minha pesquisa representa uma iniciativa concreta em favor do merecido posicionamento desse grupo social e da sua identidade junto à história cultural da cidade”, explica.

A pesquisa de Plácido Mendes será concluída com a dissertação no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, com previsão de defesa para o primeiro trimestre de 2022.


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Publicado originalmente em 07/06/2021, em Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.


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Publicado por I. Malförea

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[Dois homens se apresentando num palco. À esquerda, homem negro com blusa de manga comprida na cor preta e calça jeans toca baixo. Na direita, homem branco de camisa preta com dizeres na cor branca segurando o microfone com as duas mãos. Ele usa óculos escuros e boina.]

Apresentação da banda conquistense Distintivo Blue. (Foto: Acervo do pesquisador)

Por Joana Rocha - 07.06.2021

O conquistense ama música e possui diferentes estilos e gostos musicais. Há quem goste de sertanejo, música eletrônica, MPB, forró, hip hop, axé, música clássica, pop, reggae, blues, regional e tantos outros. Entre outras palavras, podemos afirmar que a joia do sertão baiano é muito eclética. Mas, se tem um tipo musical que também caracteriza Vitória da Conquista é o rock.

O estilo foi escolhido como tema de pesquisa do pesquisador Plácido Oliveira Mendes, estudante do curso de Mestrado em Memória: Linguagem e Sociedade da Uesb. Com um recorte mais próximo de sua realidade, “Memória do Rock Autoral Conquistense (2000-2019): ascensão, declínio e o risco do esquecimento em nome da nostalgia” dá título à pesquisa* que conta as muitas fases do rock na capital do Sudoeste baiano.

Para abordar o assunto, Mendes trabalhou com metodologias diferentes. Segundo o mestrando, “a pesquisa se divide em duas partes, sendo a primeira parte basicamente bibliográfica. Na segunda, realizei 14 entrevistas virtuais com diferentes personagens da cena do rock conquistense, de diferentes categorias: músicos, produtores, técnicos de som, o público, jornalistas, incluindo pessoas que também vivenciaram períodos anteriores ao recorte”, conta.

O autor disse, ainda, que a pesquisa de Mestrado surgiu a partir do projeto Memória Musical do Sudoeste da Bahia, site desenvolvido em 2019, dedicado à preservação da memória da música independente de Vitória da Conquista e região. “A escolha do tema se deu de forma bastante natural: desde a parte inicial do recorte, que eu denomino, à ascensão da cena rock conquistense (primeira metade da década de 2000), quando eu ainda era um jovem estudante de História e começava a frequentar os shows, ensaios e a participar de bandas como vocalista”, lembra.

[Capa do jornal conquistense Cultura Jovem, de Agosto de 2003, em preto e branco com a frase “Galera do rock local vai a luta!”, em destaque no centro. Na esquerda, aparece uma foto de uma banda de rock se apresentando num show lotado de pessoas e à direita a descrição de um texto.]

Jornal de 2003 que destacava o cenário do rock na cidade de Vitória da Conquista. (Foto: Acervo do pesquisador)

Paixão pelo rock autoral – Cantor, compositor, historiador, pesquisador, produtor musical e fundador das bandas conquistenses Distintivo Blue e Joe Malfs Clan, Plácido ou I. Malförea se diz um entusiasta da música autoral. “A música autoral, em minha opinião, é um retrato importante do local, das pessoas e do tempo em que foi composta”. Em 2013, quando percebeu o início do período que denominou de declínio da cena conquistense, o mestrando sentiu a necessidade de continuar se dedicando, ainda mais, aos estudos sobre o gênero musical.

Para ele, “o rock diz muito e, possivelmente, seja o gênero com maior capacidade de se moldar aos inúmeros contextos mundo afora. Por isso, seu silêncio pode significar um ensurdecedor conjunto de fatores passando despercebidos. Para mim, é um grande equívoco ignorar a cena rock de uma cidade pelo simples fato de não se encaixar no rótulo ‘música regional’”.

Em sua pesquisa, o mestrando revela a importância cultural de nomes como Ladrões de Vinil, Cama de Jornal, Liatris, Dona Iracema, ÑRÜ, Distintivo Blue, Renegados, Garboso e outros. Além disso, o estudo destaca grandes artistas pertencentes a um grupo ou a um nicho específico, como “os tradicionais ternos de reis, a genial geração que brilhava nos festivais de música dos anos 80 e 90, a banda da Polícia Militar, as tão inclusivas orquestras, a cena do hip hop conquistense e os artistas de gêneros mais popularescos”.

[Homem sentado e sorrindo em um estúdio de rádio aponta para uma ilustração em sua camisa de cor laranja. À sua volta, estão duas bancadas, microfone, teclado, computador e papeis sobre a bancada da esquerda e, ao lado direito, uma cadeira azul de plástico vazia.]

A pesquisa destaca não só nomes da produção musical de rock, mas também de jornalistas, como Miguel Côrtes (Foto: Acervo do pesquisador)

Impacto sociocultural – Ao reunir os dados históricos sobre o rock conquistense, Plácido Mendes contribui com a memória, muitas vezes esquecida e, até mesmo, nunca apontada para as gerações atuais. No processo de mostrar a ascensão e declínio do rock autoral de Vitória da Conquista, ele manifesta aspectos da própria cultura e evidencia que as pessoas da cena têm interesse em preservar sua memória.

“De certa forma, é como se aguardassem por alguém, um pesquisador, um jornalista, para documentar e externar suas experiências. Isso me deixou, verdadeiramente, feliz por ocupar esse papel neste momento. A minha pesquisa representa uma iniciativa concreta em favor do merecido posicionamento desse grupo social e da sua identidade junto à história cultural da cidade”, explica.

A pesquisa de Plácido Mendes será concluída com a dissertação no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, com previsão de defesa para o primeiro trimestre de 2022.


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Publicado originalmente em 07/06/2021, em Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

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